domingo, 15 de maio de 2011

A traição a Martins dos Santos

O antigo árbitro Martins dos Santos voltou novamente ao Tribunal de Gondomar, no passado dia 5 de Maio, onde já havia estado presente no já longínquo ano de 2008 no âmbito do processo "Apito Dourado". Neste último ano, o ex-árbitro havia respondido perante a justiça relativamente à promoção de três árbitros (onde se incluía o seu próprio filho) em troca de uma arbitragem que viesse a beneficiar, na temporada de 2003-2004, o Marítimo contra o Nacional. Neste jogo, o primeiro clube levou a melhor sobre o segundo (2-0) e o árbitro foi condenado em 20 meses de prisão com pena suspensa por crime de corrupção desportiva passiva, contudo, esta mesma condenação viria a ser anulada pelo Tribunal de Relação do Porto, tendo sido ordenada a repetição do julgamento e, a qual, ainda não tem data marcada.

Apesar de já reformado das arbitragens, logo após o escândalo que originou a sua primeira condenação, o actual técnico de telecomunicações poderá ver ser-lhe aplicada uma pena máxima de 3 anos pela nova peripécia a que se sujeitou. Isto porque foi apanhado em flagrante com a quantia de mil euros nas mãos, em notas marcadas pela Polícia Judiciária, num café onde havia combinado com o Presidente do clube de futebol de São Pedro da Cova (concelho de Gondomar, distrito do Porto e pertencente à AF Porto) a entrega.

O combinado era simples: o ex-juiz, que havia solicitado, em primeira mão, a quantia de cinco mil euros ao Presidente do S. Pedro da Cova, agilizava as suas influências junto dos árbitros e assistentes dos jogos deste clube com o objectivo de evitar a sua descida de divisão. Com o que Martins dos Santos não estava a contar era com o facto de Vítor Silva, Presidente do S. Pedro da Cova, ter entrado em contacto com a Polícia Judiciária, informando-a do sucedido e denunciado a proposta.

Desta forma, os investigadores encetaram o encontro e marcaram as notas para a entrega ao ex-árbitro, tendo este vindo a ser detido na passada terça-feira. Martins dos Santos foi, então, ouvido novamente no seu Tribunal, tendo-lhe sido aplicada a medida de coacção habitual, ou seja, termo de identidade e residência, pelo que ainda não se conhece o desfecho deste processo por tráfico de influências de carácter desportivo.

Não obstante ter sido recusada, pelo arguido, a prestação de declarações, o seu advogado vem, no entanto, informar que o seu cliente está "indiciado por alguns factos, sobre os quais está completamente inocente". Curioso torna-se referir que a denúncia de árbitros pelo Presidente do S. Pedro da Cova, consubstanciado na sua cooperação com as autoridades policiais, começa a tornar-se num verdadeiro modus operandi, tendo em conta que Vítor Silva, há coisa de dois anos atrás, veio acusar o árbitro Pedro Barbosa por, supostamente, este lhe querer extorquir dinheiro. No entanto, após as investigações encetadas pelo Ministério Público e em sede de julgamento, não ficou provada a culpabilidade do árbitro, tendo sido o Presidente do clube do norte obrigado a pagar uma indemnização ao árbitro.

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