domingo, 1 de maio de 2011

Que mara "Villa” de empresário desportivo


David Villa, por coincidência ou não, no exacto dia em que o F.C. Barcelona defrontou, no Estádio Mestalla, a equipa da casa, Valência F.C., teve que se apresentar num tribunal daquela cidade (Primera Instancia número 2 de Avilés) no âmbito de um processo movido contra o próprio pelo seu ex-empresário desportivo e que teve por base a reclamação de um montante (percentagem) que este afirmava ter direito por, supostamente, ter agido como intermediário na transferência do jogador, desde o verão de 2009, para o seu actual clube da Catalunha.

Como não podia deixar de ser, a audiência viria a ser marcada pela divergência nos argumentos, por um lado, adoptados pelo empresário desportivo e, por outro lado, pelas posições tomadas pelo réu e restantes testemunhas que viriam a interceder a favor deste. No lote destes últimos encontravam-se o ex-presidente Joan Laporta e mais dois anteriores dirigentes do Barcelona F.C., bem como o actual presidente e vice-presidente do principal clube da comunidade de Valência.

José Luis Tamargo reclamava nada mais, nada menos, do que 15% do valor da transferência do jogador asturiano para o “Barça” (40 milhões de euros), pelo que o valor do seu direito reclamado incidia sobre a simpatica e módica quantia de 6 milhões de euros. No entanto, os representantes dos dois clubes da primeira liga espanhola não demoraram a negar a envolvência e influência do empresário no negócio, chegando-se, ainda para mais, à conclusão que o jogador havia, inclusive e legalmente, denunciado o contrato, via fax, com o empresário no dia 19 de Abril de 2010. Exactamente vinte e um dias antes do mesmo renovar-se automaticamente por mais dois anos.

O contrato que vinculava os dois agentes desportivos espanhóis foi celebrado em 2000 por dois anos e foi-se renovando, de forma automática, pelo mesmo prazo até ao ponto final colocado pelo jogador na data supra indicada.

Com o término do contrato devidamente provado via documental, foi ainda apurado pelo juiz na sentença que, por via dos testemunhos das pessoas já indicadas, não foi possível concluir-se que Tamargo conseguiu, pelo seu trabalho e mérito próprio, convencer os dirigentes do Valência a cederem o jogador definitivamente ao Barcelona. Além disto, foi relembrado, também, que o campeão espanhol havia contratado Zlatan Ibrahimovic, em 2009 ao Inter de Milão, exactamente por terem resultado em fracasso as negociações pelo avançado espanhol.

Por fim, sempre se tenha em conta que o juiz teve tempo, ainda, para indicar que Tamargo não conseguiu provar, para o seu lado, que tipo de contactos teve no ano transacto de 2010 com o jogador e com os dois clubes em questão, ou até mesmo se houve, efectivamente, algum tipo de compromisso para que ele tivesse direito à quantia reclamada. Resulta provável que o empresário poderá vir a recorrer da sentença mas o jogo não corre de feição, nem para si, nem para a sua equipa.

A equipa que, nos últimos anos, tem vindo a perder pontos no campeonato jurídico europeu. O colectivo dos empresários desportivos. Já deviam saber melhor…

Sem comentários:

Enviar um comentário