No contexto mundial actual como o conhecemos, marcado por uma crise económica e financeira que insiste em marcar posição, surge cada vez mais a necessidade de se criarem elos de solidariedade nacional e internacional. Daí que em França, por mão do Comité Interministerial pelo Desenvolvimento Durável, tenha sido adoptado, em 27 de Julho do já passado ano de 2010, uma estratégia de onde resultaram as bases para o estabelecimento de um modelo tendo em vista o desenvolvimento duradouro de uma economia justa, recta e, também, mais "verde". Nasceu, portanto, a Estratégia Nacional do Desenvolvimento Durável 2010-2013.
No âmbito de tal estratégia, foram então definidos nove desafios que visam a progressão e o desenvolvimento da economia em terras napoleónicas, com base nos recursos naturais como a energia, matérias-primas, água, espaço, biodiversidade, almejando-se, ainda, atingir a dimensão humana e social. A chave passará por criar novos modelos de organização, consumo e produção que, por sua vez, acreditam as mais altas patentes francesas, permitirão à sua população, daqui a 20/40 anos, viver num ambiente onde os recursos naturais serão inevitavelmente mais escassos. Relembra-se, ainda, que transições industriais e económicas sempre deveriam ser acompanhadas por uma solidariedade social através dos objectivos conjuntos de redução de desigualdades, luta contra o desemprego e precariedade, de inserção e formação, prevenção de riscos, ao fim ao cabo, de uma forma de governar nova ao plano nacional e internacional.
Os nove desafios mencionados no início do parágrafo anterior reflectem-se da seguinte forma: (1) consumo e produção duráveis; (2) sociedade do conhecimento; (3) forma de governo; (4) alterações climáticas e energia; (5) transporte e mobilidade duradouras; (6) conservação e gestão duradoura da biodiversidade e dos recursos naturais; (7) saúde pública, prevenção e gestão dos riscos; (8) demografia, imigração e inclusão social e (9) desafios internacionais em matéria de desenvolvimento durável/duradouro e sobre a pobreza do mundo.
Ora, como não podia deixar de ser, o desporto desempenhará, também, um papel de extrema relevância no âmbito do plano francês que visa o desenvolvimento durável. Daí que tenha sido criado, simultaneamente, uma Estratégia Nacional do Desenvolvimento Durável do Desporto (SNDDS - Stratégie Nationale de Développemente Durable du Sport). Esta resultou da junção dos esforços dos mais variados intervenientes que actuam no seio do desporto como o CNOSF (Comité Nacional Olímpico e Desportivo Francês), Federações Desportivas, Agência do Ambiente e do Controlo da Energia (ADÉME), dos serviços do Ministério dos Desportos, do Ministério da Ecologia, do Desenvolvimento Durável e do Centro Nacional do Desenvolvimento do Desporto (CNDS), entre outras Associações de membros eleitos.
Foram, então, definidas doze prioridades que colocam o desporto num lugar dianteiro da pole position da corrida ambiciosa ao desenvolvimento durável global, constituindo este um dos maiores desafios das últimas décadas. Pelo meio do lote dos responsáveis por tal desenvolvimento, o Ministério dos Desportos Francês deu início a um processo participativo com base num calendário que visava, entre outros objectivos, os seguintes: (1) Maio 2010: lançamento dos primeiros inquéritos nacionais do desporto e do desenvolvimento durável, pelo Comité Nacional Olímpico e Desportivo Francês em conjunto com a Agência do Ambiente e do Controlo da Energia e o Centro Nacional do Desenvolvimento do Desporto; (2) Junho - Dezembro 2010: organização de dez inquéritos territoriais e inter-regionais, em parceria com o Comité Nacional Olímpico e Desportivo Francês e após consulta dos mais altos representantes desportivos, de vários actores desportivos e de especialistas que permitiram reunir cerca de 2.000 individualidades que deram a conhecer as suas preconizações, tendo por base os tais 9 desafios da estratégia nacional do desenvolvimento para 2010-2013; (3) Janeiro - Março 2011: cruzamento de ideias entre os vários intervenientes desportivos e os especialistas, apostas num trabalho do qual constam 234 preconizações sob o título "Léviers pour L'Action"; (4) Março - Abril 2011: finalização e aglomeração das preconizações por um Comité Estratégico, tendo culminado em 12 prioridades de acção para o triénio 2011-2013, e organização e agendamento de vários compromissos operacionais e financeiros.
Por fim, antes de concluirmos com a descrição completa das doze prioridades que constituem a Estratégia Nacional de Desenvolvimento Durável do Desporto, cumpre ainda informar que o Ministério dos Desportos Francês calendarizou uma série de actos a cumprir, como por exemplo: (1) carta de orientações da Ministra dos Desportos, ainda durante o ano de 2011, destinada aos serviços e estabelecimentos públicos; (2) directivas emanadas pelo Centro Nacional do Desenvolvimento do Desporto com destino aos autarcas, entre outros indivíduos com cargos semelhantes, das várias regiões territoriais francesas; (3) guia metodológico para as Federações Desportivas, tendo em vista, acima de tudo, a elaboração de convenções de objectivos ainda para o presente ano de 2011; (4) operações nacionais em parceria com os intervenientes e responsáveis pelas pastas do ambiente e (5) trabalho da responsabilidade e competência do gabinete da Ministra dos Desportos Francesa e da administração central.
Terminamos, portanto, conforme prometido com as 12 prioridades da Estratégia nacional do Desenvolvimento Durável do Desporto:
A - Medida Exemplar: (1) prossecução/continuação da estratégia ministerial do desenvolvimento durável do Ministério dos Desportos;
B - Respeito do Planeta e dos Territórios: (2) continuação dos esforços de optimização na área dos transportes; (3) promoção da utilização dos meios de transportes com menor impacto ambiental; (4) acompanhamento dos intervenientes a consumirem e a produzirem de forma duradoura; (5) contribuir para a melhoria da qualidade ambiental nas infra-estruturas; (6) sensibilizar e encaminhar o mundo desportivo na preservação e gestão duradoura da biodiversidade;
C - Respeito pelas Pessoas e pela sua Diversidade: (7) promoção da actividade física e desportiva como um factor de saúde e de bem-estar; (8) promoção do desporto com base na equidade e no respeito; (9) favorecer a utilização do desporto como uma fonte de coesão social, de educação e de desenvolvimento pessoal;
D - Respeito pelos Intervenientes: (10) sensibilizar, educar e formar o conjunto dos intervenientes; (11) favorecer a implementação do desenvolvimento durável; (12) conceber os projectos de eventos desportivos de forma responsável.
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